Associação Aprendizarte


sexta-feira, 15 de maio de 2020

Entrevista de Marco Guerra para O Diário sobre atividades e jogos para escapar do tédio na quarentena

http://www.odiariodemogi.net.br/ator-marcos-guerra-apresenta-atividades-e-jogos-para-escapar-do-tedio-durante-a-quarentena/?fbclid=IwAR2TYREAilFOJrt0a_j1XCGqTw91bFp11g5Y4uNBP3bOWdmQvg8kdQdNCjw
Postado por Associação Aprendizarte às 14:25 Nenhum comentário:
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Comentários (Atom)

Postagens populares

Postagens populares

oque você acha do ensino público no país?

Quem sou eu

Associação Aprendizarte
Ver meu perfil completo

Video Poesia: Pedagogia do Palhaço

https://www.youtube.com/watch?v=P0XBgwbJkGI

Arquivo do blog

  • maio (1)
  • setembro (1)
  • julho (4)
  • novembro (1)
  • setembro (2)
  • maio (3)
  • fevereiro (1)
  • janeiro (1)
  • dezembro (3)
  • novembro (1)
  • outubro (3)
  • setembro (2)
  • agosto (3)
  • julho (3)
  • abril (1)
  • novembro (1)
  • outubro (4)
  • setembro (8)
  • março (3)
  • novembro (2)
  • outubro (2)
  • dezembro (1)
  • agosto (1)
  • junho (29)

Palhaços da Febem

Palhaços da Febem - quando me amei de verdade

Bem vindo!

contador grátis

Seguidores

Links favoritos

  • http://www.alealudo.blogspot.com
  • http://www.artenacasadavo.blogspot.com
  • http://www.pedagogiadopalhaco.zip.net
  • http://www.saladosprofessores.blogspot.com

Disciplina

Ainda era a primeira semana de aula de minha primeira série, e eu já havia aprendido uma grande lição sobre disciplina. Sou o quinto filho de seis irmãos. Todos eles tiveram grandes dificuldades na escola com relação a materais e uniformes. Meu pai era quem sustentava a casa; seu grande orgulho era ter todos os filhos matriculados na escola. Ele só havia estudado até a quarta série do primário, mesmo assim sabia ler muito bem e fazer contas melhor ainda, fora sua letra linda e sua assinatura rabiscada. Tudo que eu queria era aprender a escrever logo para inventar uma assinatura para mim bem rabiscada.
Na minha primeira semana de aula, houve uma grande discussão em casa. Meus irmãos ficaram muito enciumados porque minha mãe havia comprado todo o meu material. Na época deles - de vacas mais magras do que a que relato - ninguém teve mais do que um único caderno, um lápis e uma borracha. A grande diferença que havia entre o meu material e o deles é que eu tinha quatro cadernos, dois lápis, uma caneta vermelha, uma borracha, um apontador e um estojo. O objeto do grande ciúme era o estojo de madeira e tampinha de correr, com compartimento para a borracha, para o apontador, para os lápis e para minha caneta vermelha. É claro que o que eu mais queria mesmo era uma mochila e uma lancheira. Nunca me esqueço daquelas mochilas sendo abertas por seus donos. Eles apoiavam a mochila nas pernas, abriam a tampa e iam tirando suas coisas: primeiro o plástico com o qual forravam a carteira - na primeira série o plástico era vermelho quadriculado -, depois os cadernos encapados de vermelho, o apontador com compartimento para o lixinho, o estojo. A mim parecia que dentro daquelas mochilas devia ter ainda muito mais coisas, as mãos dos meninos sumiam dentro dela e logo voltavam com algum objeto. Se eu tivesse uma daquelas, não pararia nunca de tirar coisas, todos se admirariam da minha capacidade de tirar coisas de dentro de minha mochila. Na hora do recreio, quando não tinha ninguém vendo, eu ia até uma daquelas mochilas novinhas e cheirava bem forte aquele cheirinho gostoso de plástico novo. Aquilo me trazia a lembrança de natais e dos poucos brinquedos que ganhara.
No primeiro dia de aula, minha mãe me levou; disse-me que observasse bem o caminho pois esse seria o único dia que ela me levaria. Perguntei durante o caminho por que eu não tinha feito o "parquinho" como minha prima Joelma. Minha mãe respondeu que o parquinho só servia para brincar e desenhar; que aquilo não era escola, escola era agora; agora é que ensinariam a ler e escrever. Não entendi por que naquela primeira semana a professora só dava desenho e não ensinava logo a gente a ler e a escrever; mais de uma vez ela me chamou a atenção no primeiro dia, pedia que eu ficasse quieto em minha carteira, ah mas como isso era difícil para mim. Nunca tinha estado com tantas crianças da mesma idade do que eu em um mesmo lugar; minha vontade era de pular e gritar e correr e conversar, mas a professora não queria, disse que queria disciplina, mas isso eu não fazia idéia do que fosse. No segundo dia, ouvi o grito da professora. Era medonho. Estridente e histérico foram as palavras que aprendi anos depois para classificar aquele grito. No terceiro dia, descobri outra coisa além do grito estridente e histérico da professora: o peso de sua mão. Num acesso de descompostura, a professora veio em minha direção, pegou o meu estojo de madeira levantou no ar e deu com ele em minha cabeça. O pobre estojo, o primeiro em uma família de seis irmãos, ficou em pedaços. Levantei a cabeça e encarei a professora; o nó em minha garganta era tão grande que meu pescoço devia estar inchado, porém não chorei. Ela disse que queria disciplina e que aquilo servisse de lição a todos. Lamentei o meu querido estojo por todo aquele ano, afinal minha mãe não me deu outro. Meus irmãos acharam bem feito, agora éramos iguais de novo.
Nunca mais encarei a professora nos olhos, talvez ela tenha achado bom, afinal da maneira dela aprendi a me comportar entre outras crianças e toda vez que ouvia a palavra disciplina lembrava de meu estojo de madeira espatifado.

Total de visualizações de página

Translate

Tema Marca d'água. Tecnologia do Blogger.